Comunicados da Sé Apostólica da Hispânea

 

Acerca do Comunicado publicado no Jornal Reconquista,
da Diocese Romana de Castelo Branco sobre o Padre César Barata

(http://www.reconquista.pt/pagina/edicao/331/23/noticia/34428)

 

Ao termos conhecimento do comunidado diocesano emitido pelo Sr. D. Antonino Eugénio Fernandes Dias, Bispo católico romano de Portalegre - Castelo Branco, com data de 20 de Outubro de 2014, e publicado no Jornal “Reconquista” – semanário regionalista da beira baixa - propriedade da Fábrica da Igreja da Paróquia de São Miguel da Sé de Castelo Branco, no qual é colocada em causa a honra e o bom nome do Sr. Padre César Manuel da Silva Barata, presbítero desta jurisdição canónica, prontamente escrevemos ao referido prelado repondo a verdade.
Numa leitura cuidadosa do referido comunicado diocesano, percebemos imediatamente que o mesmo resulta da falta de informação daquele que o emitiu, ignorando que o visado não faz parte da sua jurisdição mas sim da Igreja Católica Ortodoxa Hispânica, pelo que nenhuma potestade canónica é reconhecida ao prelado romano de Portalegre - Castelo Branco dentro desta jurisdição canónica. A sua potestade limita-se única e simplesmente dentro dos limites da sua diocese, e dentro da sua jurisdição que é a Igreja Católica Apostólica Romana. Ora, perante este facto, todo o conteúdo do comunicado diocesano não tem qualquer razão de ser, pelo que se torna despiciendo.

Carta enviada ao Bispo Romano de Castelo Branco

Perante a ausência de contestação à missiva por parte do prelado romano, assim como o facto de nenhum dos comentários feitos por esta jurisdição canónica na página online do jornal terem sido aprovados pela direcção do mesmo, só podemos constatar que existe desde o princípio má-fé da parte do Bispo romano de Portalegre - Castelo Branco, com nítido dolo. Ora, tratando-se de um prelado que se apresenta e deseja ser visto como homem de Deus, deveria primeiramente informar-se e informar, antes de difamar os demais.
No comunicado emitido, o prelado baseia todas as suas acusações, partindo do pressuposto de que o Padre César Barata, a quem chama de "falso padre", seria membro da Igreja Católica Apostólica Romana, e que exercendo actos de cariz religioso em Castelo Branco estaria a infringir a sua potestade episcopal, como Ordinário do Lugar. Tal facto carece de verdade. Acreditamos que a ignorância do prelado acerca do facto do referido sacerdote pertender a outra jurisdição canónica que não a sua, esteja na base das descabidas acusações acerca do mesmo.
Nas várias afirmações, D. Antonino Dias dá a entender que o termo “católico” é exclusivo da Igreja Católica Apostólica Romana, o que é falso. O termo não é exclusivo de nenhuma das jurisdição, como muito bem sabe ou deveria saber tão ilustre prelado. Acusa o Padre César Barata de: “tem-se apresentado, reiteradamente, em comunidades cristãs desta nossa Diocese de Portalegre-Castelo Branco como sendo Padre Católico”, dando a entender que o mesmo não se pode apresentar como sacerdote, criando propositadamente a dúvida e a desconfiança.
Ao afirmar: “Por denodos e atrevimentos vários, o Senhor Bispo da Diocese da Guarda sentiu-se já na necessidade de alertar os seus diocesanos e de proibir formalmente o Senhor César Manuel da Silva Barata de presidir a qualquer celebração de cariz religioso católico em todo o território da Diocese da Guarda”, vêmos a tentativa de exercício ilícito da potestade episcopal da parte de D. Manuel da Rocha Felício, Bispo romano da Guarda. Imaginamos que esta é a origem do comunicado diocesano de D. Antonino Dias, instigado pelo seu irmão no episcopado, que se encontra mais preocupado em acusar e denegrir os sacerdotes alheios, mas protegendo na sua diocese sacerdotes condenados pela justiça por actos que carecem de religiosidade.
Parece-nos que, alertar os diocesanos (católicos romanos) e "proibir" um clérico de outra jurisdição canónica de presidir a qualquer celebração de cariz religioso católico é demasiado. Nitidamente, tenta passar a imagem de que unicamente a Igreja Católica Romana é possuidora de celebrações de cariz religioso católico? Esquece prepositadamente que os Ortodoxos, os Anglicanos, os Vetero-Católicos, as Igrejas Católicas Nacionais, entre outras, igualmente celebram ritos de cariz religioso católico, como não podia deixar de ser?
Por detrás deste comunicado diocesano, quando o D. Antonio Dias, afirma: “usando a fé, a bondade das pessoas e de algumas famílias que, certamente, o têm acolhido como sendo Padre.", certamente não é o zelo pastoral para com o povo de Deus e a pura vivência da Fé, que está na origem do exercício desta sede de poder e arrogância. Estas duas "virtudes" sob a capa da caridade e do amor ao próximo, têm um único caminho a seguir, que é denegrir a imagem e o trabalho pastoral daqueles que lhe são alheios. Assim foi o modo de proceder com o Padre César Barata, chamando de ignorantes a todos aqueles que com ele trabalham e o ajudam em seu ministério, como se todo o feito fosse uma mentira.
Sempre que é de todo conveniente, o acusador esquece de mencionar a parte importante da história, como faz o prelado romano ao afirmar: “No sábado passado, dia 18 de outubro, a convite de alguém - de um fiel leigo que, penso..., também enganado e de boa-fé -, o Senhor César Barata apresentou-se vestido com o traje sacerdotal e tentou "celebrar" para uma Assembleia de idosos do concelho de Castelo Branco, no Pavilhão Polidesportivo de Valongo, na cidade de Castelo Branco.”, em que omite o nome da pessoa que convidou o Padre César Barata para fazer a celebração. Será que a pessoa em questão já está sentenciada ao silêncio, sendo coagida a compactuar com a mentira prelatícia com medo de represálias, segundo o bom costume vaticanista!? Afirmar que a pessoa em questão foi enganada é demasiado, pois a mesma tinha pleno conhecimento que o Padre César Barata não era sacerdote da Igreja Romana mas sim da Igreja Católica Ortodoxa Hispânica.
Quando o prelado romano de Portalegre - Castelo Branco, afirma: “Venho, pois, alertar todos os diocesanos que o Senhor César Manuel da Silva Barata não é Padre, não é missionário capuchinho, não fez o aspirantado nem o postulantado na Congregação dos Padres Capuchinhos, como afirma, não tem qualquer mandato para exercer seja o que for na nossa Diocese.”, opta por referir que o Padre César Barata “não é padre” em vez de referir que - não é padre romano -, ou - padre da diocese romana de Portalegre e Castelo Branco - tendo plena consciência que estaria a lesar o seu bom nome e a sua honra, quer como pessoa quer como sacerdote. O facto de não ter mandato para exercer seja o que for na sua diocese, voltamos ao abuso de autoridade. Como ousa o D. Antonino Dias, proibir seja o que for a um clérigo que não está sujeito à sua potestade ordinária?
Mesmo assim, volta a sentenciar sem potestade para tal, afirmando: “Está, isso sim, proibido de exercer qualquer responsabilidade ou presidir a qualquer ato religioso católico em todo o território desta Diocese de Portalegre-Castelo Branco.”, ficando a sentença duvidosa quanto a vários aspectos canónicos. Se o prelado romano em questão diz que o Padre César Barata não é padre (da sua diocese evidentemente), como o proibe de exercer qualquer responsabilidade ou presidir a qualquer acto religioso católico na sua diocese? Canonicamente não poderia assumir nenhuma responsabilidade e seria nulo por si mesmo qualquer acto religioso. Acreditamos que enquanto Pastor, deveria fiscalizar mais os actos religiosos e não só, realizados pelos sacerdotes quer da sua diocese quer da diocese do seu instigador, assim como censurá-los publicamente. Infelizmente a bitola e os pesos usados são outros!...
Quando no fim do comunicado diocesano, o D. Antonino Dias afirma: “Se o Senhor César Manuel da Silva Barata continuar a intentar ou a impor-se para exercer atos de culto, os fiéis podem e devem chamar a autoridade civil (GNR/PSP) ao abrigo do Artigo 7º da Concordata entre a Santa Sé e a República Portuguesa, de 18 de maio de 2004.”, acusa o Padre César Barata de intentar e de se impôr ao exercício da sua potestade em templos da sua jurisdição, fazendo-se passar por padre católico romano, fazendo referência à Concordata. Ora, não conseguimos perceber como pode aplicar-se ao Padre César Barata o Artigo 7º da Concordata entre a Santa Sé (Romana) e o Estado Português, que afirma: “A República Portuguesa assegura nos termos do direito português, as medidas necessárias à protecção dos lugares de culto e dos eclesiásticos no exercício do seu ministério e bem assim para evitar o uso ilegítimo de práticas ou meios católicos.”. Não sendo o visado sacerdote católico romano, e celebrando o mesmo em lugares de culto que não são propriedade da Igreja Católica Apostólica Romana e suas empresas, como pode aplicar-se o referido artigo? Será que a Lei de Liberdade Religiosa, ainda não é aplicada nas dioceses romanas de Portalegre - Castelo Branco, e da Guarda?
Quando o D. Antonino Dias, enquanto Bispo romano de Portalegre - Castelo Branco e tão só, escreve: “Se apresentar algum documento, deve averiguar-se qual a origem e a validade do mesmo: nosso não é, nem o reconheceremos.”, mostra que desconhece a entidade que emitiu as credênciais do Padre César Barata, por falta de informação, por ignorância ou intencionalmente, mas, na mesma frase tenta dar a entender alguma ilegalidade nas mesmas, emitindo a sentença de não as reconhecer, mesmo antes de saber quem as emitiu. Porém, alguma vez a Igreja Católica Ortodoxa Hispânica, pediu ao D. Antonino Dias ou ao D. Manuel Felício qualquer reconhecimento das suas credenciais!?
Infelizmente, a petulância eclesiástica tão característica de alguns prelados romanos e não só, dá-lhes a arrogância de se acharem juízes dos demais...
Agindo assim de má-fé, é deveras evidente a intenção "cristã" que fundamenta todo o comunicado diocesano.


Após a publicação da notícia no Jornal Reconquista, foi o Sr. Padre César Barata entrevistado para o Jornal Correio da Manhã, onde refutou as acusações feitas no comunicado de D. Antonino Dias. Infelizmente, nenhum interveniente católico romano esteve disponível para o jornalista, o que nos parece no mínimo estranho.

Jornal Correio da Manhã - 28 de Outubro de 2014

(http://www.cmjornal.xl.pt/nacional/sociedade/detalhe/sou_um_padre_de_verdade.html)


Arcebispo de Lisboa e Primaz Katholikos

S.B. Dom ++ Paulo Jorge de Laureano
(Mar Alexander I da Hispânea)



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Última actualização deste Link em 07 de Novembro de 2014